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quinta-feira, 4 de junho de 2020

Representatividade, a Nichelle Nichols e a Tenente Uhura

Depois de ver este vídeo sobre representatividade do Henry Bugalho resolvi fazer um comentário sobre representatividade, e justamente de um caso muito emblemático que conheço. Um dos motivos é por que sou um fã de Star Trek, e este é um dos motivos de eu ser fã de Star Trek.

Eu reproduzo o meu comentário abaixo:

Procure as palavras abaixo no youtube.

nichelle nichols martin luther king jr

A atriz Nichelle Nichols quase saiu do papel de Tenente Uhura no seriado Star Trek para voltar a cantar, e chegou a entregar a carta de demissão, mas um fã dela veio falar com ela no final de semana. Ela ficou surpresa quando viu quem era. O fã era o Martin Luther King Jr. Ele a convenceu a não deixar o show e mostrou a importância dela para a comunidade negra dos EUA.

A coisa foi tão perfeita que até parece que o Gene Roddenberry (O criador de Star Trek.) telefonou para o Martin Luther King e pediu que ele conversasse com ela. Mas não temos mais como saber, pois os dois já faleceram. Acho que foi nesta conversa que ela entendeu realmente a importância dela no seriado e na sociedade.

Neste vídeo a Nichelle Nichols conta a história:


E qual foi realmente a importância disto? Isto já pode ser parcialmente respondido pela busca pelas seguintes palavras:

whoopi goldberg uhura

Estes vídeos já ajudam a entender:




Aliás, sem a Tenente Uhura, a personagem da Nichelle Nichols, talvez não tivéssemos a Woopi Goldberg, o Neil deGrasse Tyson, vários grandes atores negros, e talvez nem o Presidente Obama.

Aliás, a Nichelle Nichols também trabalhou no recrutamento de astronautas na NASA, ajudando a diversificar os astronautas, como pode ser visto neste artigo abaixo:


A Wikipedia tem um bom artigo sobre a personagem:


Talvez ela tenha feito o papel mais importante daquele seriado, e nem todos perceberam isto.

Tem um vídeo no qual ela conta como foi a entrevista dela com Gene Roddenberry para o papel dela no seriado, mas não consegui achar. Na época ela lia o livro Uhuru, e que estava com ela na entrevista. E assim foi decidido o nome da personagem dela.

Atualização 15/06/2020:

Acho que vale acrescentar este vídeo do Smithsonian Channel. Ele corrobora o que eu falei acima.

Atualização 16/06/2020:

O YouTube me presenteou com este vídeo que não consegui achar quando eu escrevia o comentário que originou a postagem. Ele fala da entrevista da Nichelle Nichols para trabalhar no seriado Star Trek.

quinta-feira, 17 de outubro de 2019

Sobre "preto de alma branca"

Esta expressão muito antiga, que ainda era usada na década de 1970, é assustadoramente racista, mas na época não se dava conta disto, fora que ela tem um pequeno fundo religioso.

Ela era usada para falar que brancos prestam e negros não, que negros são pessoas ruins, mas tinham algumas raras exceções. Alguns negros eram bons. Estes negros teriam alma branca, teriam nascido com uma alma de branco. Isto também induz que existiriam almas brancas e almas negras, e que pessoas brancas recebiam almas brancas e boas, e pessoas negras recebiam almas negras e ruins, fora raras exceções.

Mas não me lembro ouvir falar em "branco com alma preta". Se isto era usado, era muito raro. Isto faz pensar que todos os brancos prestavam, eram pessoas boas, mas só alguns raros negros eram pessoas boas.

E o fundo religioso? É a existência da alma, que é um conceito religioso.

Por absurdo que pareça, esta expressão racista ainda foi uma evolução, pois teve época na qual muitos defendiam a ideia de que negros não tinham alma. Coisa que acho tão horrível quanto, se não pior.

Eu sou ateu, e não acredito na existência da alma, portanto acho que ninguém tem alma, mas compreendo o conceito e o valor que muita gente dá a isto.

Mas estendendo o conceito, as pessoas que usavam esta expressão não consideravam a possibilidade de almas de homens em corpos de mulheres e vice-versa, o que seria a transsexualidade. A transsexualidade era considerada uma aberração e era muito mal vista na sociedade na época. O preconceito era muito grande. Se mal se falava de sexo, tal era o tabu, imagine a transexualidade, a homossexualidade, a bissexualidade etc.