Will Smith se desliga da academia do Oscar. Se a Academia do Oscar não repreende o Chris Rock pela piada insensível, eles não merecem o Will Smith.
O Will Smith agiu errado em estapear o Chris Rock, mas talvez tenha sido necessário para abrir o debate, que parece não estar sendo feito, sobre a liberdade de fazer piada, qual é o limite da piada.
Eu tenho visto muita gente dizendo que piada não tem que ter limite, mas acho isto errado. Piadas podem ser armas, podem ser instrumentos para propagar ideias, e principalmente preconceitos.
Piadas podem ser instrumentos para ferir psicologicamente as pessoas, e justificar e até incentivar a violência física contra os alvos das piadas.
A liberdade de expressão TEM limite, mas existe na sociedade dos EUA o conceito errado de que ela tem que ser ilimitada. Uma sociedade só pode avançar livremente se certas coisas forem superadas, que certas coisas não cabem mais na sociedade, como racismo, homofobia etc, e discursos assim tem que ser suprimidos, mostrados como errados e e devem ser ultrapassados, e impedidos de contaminar o debate público.
Mas tem gente que não quer superar certas ideias, e tem gente que tem ganhos, até econômicos, se certas ideias ultrapassadas não forem superadas. Dar voz a estas ideias significa legitimar, ajudando a manter algumas pessoas presas nestas ideias, e até enganar mais pessoas para aderirem a estas ideias.
Redes sociais se tornaram palco destas ideias ultrapassadas por diversos motivos. Um é porque é um espaço, um meio, onde as pessoas com as mesmas ideias podem se encontrar, e exercer seus preconceitos. Os algoritmos as aproximaram, e criaram uma ressonância entre elas. Isto gerou engajamento na rede e engajamento é crescimento da rede social, e é lucro. Outro é que estas redes sociais estão sediadas nos EUA, que tem este conceito de liberdade de expressão ilimitada.
Esta liberdade ilimitada é ideologia, e é instrumento de lucro.
Redes sociais se tornaram instrumentos de influência cultural, econômico, ideológico etc. Elas foram montadas com uma ideologia em mente, como gerar engajamento, lucro, e a liberdade de expressão ilimitada, por pior que seja o que a pessoa expresse.
Redes sociais poderiam ser poderosos instrumentos para o avanço da sociedade, mas tem sido o contrário.
Mas certamente, neste ponto, os defensores de uma liberdade de expressão ilimitada estão falando que estou defendendo a censura. Sim, acho que estou mesmo. Mas eu defendo que se censure o racismo, a homofobia, o fascismo etc, e não o debate sobre a existência deles. Tem gente que diz mentiras, como "Não existe racismo no Brasil.", o que é uma tentativa de desqualificar toda a discussão sobre racismo.
Os preconceitos existem, e tem que ser discutidos, mas não legitimizados, como esta liberdade de expressão irrestrita quer legitimizar.
Tem gente que defende esta liberdade de expressão para continuarem como pessoas "escrotas", preconceituosas etc. Alguns porque tem ganhos políticos. Alguns para continuarem fazendo as mesmas piadas ruins, pois achou este tipo de plateia.
Alguns falam que até nazismo tem que ter sua liberdade de expressão, pois os nazistas falando se expõem quanto ridículas eles são. Eu considero estas pessoas desonestas, pois elas sabem que é mentira (Eu sei porque estas pessoas mentem muito usando a tal "liberdade de expressão".). Elas sabem que muita gente não tem senso crítico e estudo para criticar as ideias ruins, e assim a sociedade pode ser contaminada, como já está, por ideias que já deveriam ter sido ultrapassadas.
O tapa do Will Smith no Chris Rock não deveria ser considerado como uma desavença entre os dois. Ele tem muito mais coisas por trás. Mesmo sendo um ato de violência individual, ele foi disparado por todo um arcabouço de violência psicológica que se esconde atrás duma ideologia de liberdade de expressão ilimitada.
sábado, 2 de abril de 2022
Oscar, Will Smith, Chris Rock, e qual é o limite da liberdade de expressão e da piada
sexta-feira, 14 de janeiro de 2022
Sobre a Covid-19, a variante Ômicron, diferenças nos tratos respiratórios e Evolução
terça-feira, 21 de dezembro de 2021
O Bolsonarismo é anti, mas anti o que?
Tem quem diga que o Bolsonaro seja antissistema. Mas o que ele realmente é anti?
O Bolsonaro realmente anti, mas não é bem como os bolsominions acham, dizem etc. Provavelmente eles saibam o que ele é anti, e gostem dele justamente por isso.
A sociedade progredia em um processo civilizatório, e talvez isto era encarado por eles como o sistema. Na realidade é um sistema.
Mas na realidade o Bolsonarismo é anticivilizatório. Ele representa a resistência, a reação, ao processo civilizatório. Bolsonaro catalisou, agregou, estes movimentos de resistência ao processo civilizatório, ele faz discurso para eles, para os anti-vacina, para os que são contra direitos humanos, anti-ciência, contra o meio ambiente etc. A vacina e os direitos humanos, a ciência, a preservação ambiental etc, são parte de um processo civilizatório que ganhou um grande impulso com a metodologia científica, com Galileu, com o iluminismo, com a medicina científica etc.
Aliás, o neoliberalismo também é um dos mecanismos anti-civilizatórios, ao desprezar o bem estar dos indivíduos e facilitar a concentração de renda, um crescimento desigual da economia etc. Isto é um dos motivos que considero o neoliberalismo como uma grande fraude, e um dos outros é a forma que foi apoiado, desenvolvido etc, e por quem.
Então não é de se estranhar a aliança do mais fraudulento neoliberalismo com o processo anticivilizatório do bolsonarismo.
quinta-feira, 23 de setembro de 2021
"Sem eficácia comprovada" x "Com ineficácia comprovada" - Sobre tratamento precoce.
Ainda se usa o termo "sem eficácia comprovada" para o dito "tratamento precoce", que alguns defendem para os pacientes de Covid-19, composto por cloroquina, hidroxicloroquina, ivermectina etc, mas acho isto um erro.
Cientificamente está correto dizer isto, pois a ciência já fez experiências que não comprovaram algo, mas depois, em experiências melhor elaboradas, mais precisas, com equipamentos melhores, este algo foi comprovado. O Bóson de Higgs é um caso clássico. Previsto muitas décadas antes de ser provada a existência, e neste tempo ele ficou "sem comprovação científica", melhor dizendo, "sem comprovação experimental". As ondas gravitacionais, previstas por Albert Einstein passaram mais tempo ainda sem comprovação experimental, e foi provado que elas existem.
Mas existem casos nas quais as experiências já provaram, praticamente acima de qualquer dúvida, que algo não existe, não funciona etc. Precisaria uma experiência muito excepcional, uma prova muito excepcional, que pudesse ser verificada e replicada por outros, para mudar o consenso. A existência do "Ether", meio no qual se propagaria a luz, é um destes casos.
Acho que o "tratamento precoce" atingiu o nível do Ether, o de comprovadamente não existente, que não funciona, no consenso científico.
Mas muitos dos defensores do "tratamento precoce", por ignorância e/ou má fé, criam falácias sobre o termo "sem eficácia comprovada", dizendo: que ainda vão provar a eficácia; que estão ignorando as provas que funcionam; que não foi comprovado, mas vai ser etc.
Eles falam, e repetem, isso por um conjunto de motivos não mutuamente exclusivos, tal como: má fé, fanatismo político-religioso, adestramento, ignorância, estupidez, imbecilidade, necessidade (até a um nível patológico) de acreditar em alguma cura, desconhecimento de como funciona a ciência etc.
A verdade é que se tem, acima de qualquer dúvida razoável, a certeza que este "tratamento precoce" não funciona, a ponto que podemos usar a expressão "com ineficácia comprovada", pois isto tira qualquer margem para interpretação errada que alguns estão dando.
Por isso que defendo o uso do termo "com ineficácia comprovada" para o "tratamento precoce". Ou, se quiser melhorar cientificamente, 'com ineficácia comprovada acima de qualquer dúvida razoável".
quarta-feira, 22 de setembro de 2021
Os 3 tipos de ditaduras em relação aos EUA
Existe uma relação entre países autoritários e superpotências, em especial os EUA no que tange à América Latina, mas não restrita a ela. Eu divido em basicamente 3 categorias.
1 - Países autoritários suportados, apoiados.
Um exemplo é a Arábia Saudita, que é um país autoritário e muito amigo dos EUA, e que apoia fundamentalismo religioso em outros países etc. A principal diferença para o seguinte é que muitos já eram assim, e os EUA se aliaram a eles, mesmo que a longo prazo isto possa criar sérios problemas pros EUA.
2 - Países autoritários implantados pelos EUA
Quem conhece um pouco da história da América Latina, da United Fuit Company, das ditaduras militares etc, sabe como ditaduras e governos favoráveis aos EUA, e contrários aos interesses da própria nação foram implantadas. Assim era Cuba antes da Revolução Cubana, foram os golpes militares no Brasil, no Chile, na Argentina etc.
Nestes 2 tipos acima não se vê frequentemente apoiadores dos EUA falando mal das ditaduras, e se vê até apoiando. E não raramente, e até é comum, serem governos autoritários altamente corruptos.
Muito da corrupção em muitos países se devem ao tipo 2, pois governos corruptos são controláveis. A corrupção é um mecanismo de domínio do estado, tanto feito pelas classes locais abastadas, quanto por países, empresas etc, estrangeiras.
3 - Países atacados pelos EUA
Os EUA aplicam embargos, pressões de diversas formas, sabotagens, propagandas (inclusive, e talvez especialmente, mentirosas e hipócritas), infiltrados, até mesmo ataques militares em alguns casos, e forçam o país a um estado de defesa constante, de modo que muitas coisas acabam se tornando restritas, inclusive algumas liberdades, pois se elas existirem serão exploradas pelos EUA.
Eles sabem disto, e fazem de propósito para conduzir estes países a uma ditadura. Se conseguem derrubar e ganhar o controle, foi vitória, se não, não é uma perda total, pois podem usar para discursos contra qualquer coisa que seja contra seus interesses, contra qualquer país que pense em não se manter alinhado aos EUA.
Estes casos são considerados ditaduras e combatidos pelos EUA e seus apoiadores, os mesmos que ignoram as duas outras formas.
É contra estes países que existem campanhas para "implantar a liberdade e a democracia", mas realmente qual "liberdade" e "democracia"? Por vezes é para implantar o segundo tipo de ditadura, que pode ser escancarada, ou um governo altamente corrupto mascarado de democracia, mas em todos os casos, governos alinhados aos EUA.
Atualização em 28/09/2021:
Este vídeo do canal Meteoro Brasil ilustra perfeitamente o que explico no meu texto.
domingo, 19 de setembro de 2021
"Estocar vento", ignorância e estupidez
Este é mais um texto baseado numa discussão no Facebook. O Assunto era a famosa expressão "estocar vento" da Dilma. Segue abaixo.
Eu conheci uma pessoa que usava esta expressão, "estocar vento", para falar mal da Dilma. Cada vez que ele falava isto eu pensava "Que imbecil.", especialmente porque tentei explicar para ele que era uma expressão, uma metáfora, que qualquer um que entende um pouco de fontes renováveis de energia entenderia, mas ele fazia questão de não entender, por preconceito contra a minha pessoa, contra a Dilma, contra esquerda etc. Ele fazia questão de ser imbecil.
Uma pessoa pode ser ignorante, que ignora, que desconhece, alguma coisa. Mas ela pode aprender, estudar, e assim evoluir e deixar de ser ignorante naquele assunto. Ou ela pode reconhecer a sua ignorância e deixar o assunto para quem entende. Ela pode confiar em quem entende. E mesmo neste processo de deixar para quem entende, ela ainda pode aprender mais sobre aquele assunto.
Aliás, todos nós somos ignorantes em muitas coisas. Por exemplo, sou ignorante em como muitos remédios funcionam. Tem coisas em que todos os seres humanos são ignorantes, como "Quantos planetas existem na via láctea?", pois ninguém sabe a resposta para isto. A humanidade ainda está procurando exoplanetas, mas podemos nunca ter uma resposta para isto. Aliás, eu mesmo acho que nunca teremos uma resposta para isto.
Mas existem ignorantes que fazem questão de não aprenderem, que acham que sabem muito daquele assunto, quando não sabem nada, ou pior, tem só informações e conhecimentos falsos sobre o assunto. É este ignorante arrogante que eu chamo de imbecil.
Fulano (Aqui eu retirei o nome da pessoa.), se você não entendeu o "estocar vento" que a Dilma falou, se você ignora o significado, tudo bem. Eu posso te explicar. O assunto é até bem fácil de ser entendido. Me avise se quiser uma explicação.
"Estocar vento" é uma metáfora sobre formas de armazenamento de energia produzida em horários de muito vento para ser usada em momentos que a demanda supera a geração eólica.
Existem dezenas de formas de fazer isto. Uma é armazenar ar comprimido, que pode ser inclusive em cavernas subterrâneas. Outra é em baterias (Existem muitos tipos de baterias que podem ser usados nisto.). Outra é bombear água de uma barragem baixa para uma barragem alta, e quando for usar esta barragem alta funcionaria como hidrelétrica. Uma é em rodas de inércia. Outra é aquecendo materiais, e depois recuperar a energia.
Existe também "estocar sol". Algumas usinas solares podem aquecer sais até se tornarem líquidos, e assim guardar uma grande quantidade de energia, e usar para mover geradores a vapor de água por muitas horas depois que o sol se por.
A Dilma falava deste armazenamento de energia quando falou em "estocar vento", e ela falou para quem entendia do assunto, para quem não era ignorante no assunto.
quinta-feira, 26 de agosto de 2021
Um pouco sobre defensores de armas
Eu publiquei o texto abaixo em um recompartilhamento no Facebook de um compartilhamento que fiz 3 anos atrás, mas achei que ficou tão bom que achei que deveria vir para cá.
Também não sei se vão manter por eu falar tão abertamente sobre suicídio.
O texto está abaixo:
"Existe uma falácia que os defensores de armas, os que acham que todos tem o direito de andarem armados, usam: "Se é contra as armas, que não use.".
É como "Se não quer arma, que boicote, que não compre.".
Mas como eu boicoto ser ameaçado, baleado, ou até morto por um imbecil arrogante armado?
Muitos dos que querem portar armas justamente são as pessoas menos indicadas a terem armas. E liberação fará com que estes andem armados. É um retrocesso civilizatório.
Muitos, ou quase todos, os defensores de armas usam argumentos falsos, falaciosos, "provas" anedóticas etc, e nem querem ver outras consequências, como suicídios, tiros acidentais, crianças achando as armas etc. É um nível de desonestidade intelectual e imbecilidade enorme.
Por exemplo, tipicamente usam o argumento e que o suicida vai buscar um outro meio de se matar se não tiver uma arma na mão. Mas isto também é uma falácia. Alguns podem buscar outros meios, mas nem todos, e uma arma de fogo provê uma forma de suicídio muito simples, fácil de ser executada, e muito eficiente, que pode ser usada em um impulso suicida. Este impulso pode diminuir em minutos, interrompendo um processo de suicídio, caso o suicida não tenha um meio fácil de levar a cabo.
Eu acho que muitos dos defensores de armas tem um fetiche de matar alguém, então desenvolvem fantasias, como matar invasor de casa. Parece que sonham que alguém invada a sua casa para ele matar esta pessoa de forma "socialmente aceita", e ele se sinta um herói. Pelo que li em reportagens, o Oscar Pistorius" (aqui) "foi um caso assim.
Pessoas assim não querem que os problemas sociais sejam realmente resolvidos, pois assim não teriam alguém para matar, e cuja morte fosse "socialmente aceita".
Acho que até a expressão "bandido bom é bandido morto", que considero desumana e com tons de fascismo, pode estar ligada com este sentido de violência e destruição, este desejo de matar.
Alguns defenses de armas parecem ter "síndrome do pau pequeno", um problema sério com masculinidade tóxica, insegurança, auto imagem etc, e querem um meio de se sentirem mais machos, mais poderosos. Então ter o poder e os meios de matar alguém, ou até mesmo fazer isto, também pode atender a esta necessidade de se sentirem superiores."
PS: Faltou o link para um artigo que li tempos atrás avaliando bem a fixação por armas do Oscar Pistorius, mas não o achei ainda.
PS: Na pesquisa para achar algumas informações complementares achei este artigo que gostei muito.