segunda-feira, 6 de agosto de 2018

Sobre o assassino da Tatiane Spitzner

Soube hoje do caso da morte (assassinato, ou morte tentando fugir, o que se enquadra em uma variação de assassinato) da Tatiane Spitzner lendo pelo artigo da Nathalí Macedo, no Diário do Centro do Mundo.
Então resolvi investigar o comportamento do Luis Felipe Manvailer nas redes sociais.

Foi fácil achar o perfil dele no Facebook, mas é um perfil um tanto fechado. Poucas de suas publicações são públicas.

Mas dava para ver algumas coisas. Uma destas coisas foram as páginas e grupos que ele curtiu. Aí tem algumas coisas interessantes, e reveladoras.

Ele é fã de MMA. Eu nunca gostei de MMA, e acho uma deturpação das artes marciais. Acho que acabei tendo preconceito contra o MMA. Quando treinei Karatê, estudei a história do Karatê, e de várias artes marciais que surgiram antes, que chegaram até o Karatê. E vi que muitas delas eram formas de resistência a invasores. Foi assim que nasceu o Karatê, por exemplo.

Mas a impressão que tenho de pessoas que gostam de MMA é uma tendência à prepotência e à violência.

O Luis Felipe curtiu muitas coisas ligadas à MMA.

Mas vamos descontar este meu preconceito com MMA.

Achei muita coisa comum, e até algumas humorísticas.

Achei a página Eduardo Bolsonaro na lista. Como a do Fernando Holiday e a do Kim Kataguiri. Também tem o Mamãe Falei. Tem páginas de direita, como "Caneta Desesquerdizadora". Tem uma que que eu não conhecia, a "Desumaniza Redes".

Achei uma grande quantidade de coisas que, ao ver, me pareciam ter um viés de direita. Muito discurso raso, que não analisava nada e só pulava para a conclusões falaciosas. Não achei nada que me indicasse ser claramente de esquerda.

Achei também umas contradições com o que citei acima, como os Simpsons, que tem críticas à sociedade moderna na série, e a I Fucking Love Science, onde tem críticas a muitas coisas da direita nos EUA, em especial ao atual presidente de lá. O Sensacionalista, que critica muito a direita no Brasil.

Também tinha algumas outras páginas de ciências, como a da CAPES, da Ciências Sem Fronteiras.

Aí surge uma pergunta. Qual conteúdo o Facebook mais entregava para ele? 
Não achei as curtidas em postagens e os comentários dele (teria que garimpar muito mais fundo), mas isto me diria muito mais sobre a personalidade dele.

quarta-feira, 11 de julho de 2018

Sobre racismo, homofobia etc, evolução e questionamento pessoal

Eu vi os dois vídeos do Pirula sobre o caso Cocielo (aqui e aqui), e depois do segundo fiquei pensando algumas coisas.

Pelo que entendi, o que aconteceu foi um caso de racismo estrutural, aquele que está inserido na pessoa, e na sociedade, e ela não percebe.

Se alguém me perguntar se sou racista, eu responderia "Tento não ser.". Mesma coisa quanto à homofobia.

Cresci em uma época bem mais racista e homofóbica do que atualmente, e isto se insere dentro da pessoa desde criança pela forma que a sociedade cria e molda este indivíduo. Alguns resolvem ser assim mesmo, não evoluir, não se questionar, pois pode doer perceber que está errado, que sempre esteve errado.

Eu tento evoluir, me questionar, mas este processo não é perfeito, e tem que ser feito continuamente.

Questionamentos costumam ser feitos quando algo é percebido para ser questionado, e tem vezes que, para perceber algo a ser questionado, é necessário ganhar (e aprender) novos pontos de vista, novas referências, novos modos de questionar, novos modos de pensar etc, sem preconceitos sobre o que aprender, pois só vai ter chance de saber se é útil ou não depois de aprender (e pode ser até muito depois de aprender).

Em um destes questionamentos pode-se perceber que está fazendo algo muito errado (pode ser que muitos na mesma sociedade também estejam cometendo o mesmo erro), e que vai ter que mudar, parar de fazer algo, passar a fazer algo etc, segundo o caso. Pode surgir um sentimento de culpa por ter feito por muito tempo algo que feria outras pessoas.

Este processo pode causar perdas, como a percepção que piadas racistas são ruins, então não devem ser feitas, mas alguns não querem ver isto, pois não querem perder este tipo de humor. Alguns também não querem correr o risco de sentir culpa no processo de mudança. Então tem gente que reage, que não aceita a mudança e o reconhecimento que algo, inclusive algo que faziam e gostavam, era ruim. Alguns ainda vem com saudosismo dizendo que antigamente era tudo melhor.

Uma coisa que vejo com muita suspeita são os que dizem que não são racistas, que não são homofóbicos etc. Nesta sociedade não tem como não ser. (Sim, já dói pensar nisto.) Mas estas pessoas podem já ter desistido de se questionar, de evoluir, de sentir esta dor que falei, e usam este discurso para dizer que não precisam evoluir, para iludir os outros e principalmente a si mesmas.

Por isto que já falei que um dos meus maiores medos é parar de aprender, parar de evoluir, parar de ser criativo.

As pessoas tem que aceitar que mudam, que evoluir é bom, que é bom perceber e reconhecer os seus erros do passado, mesmo que, quando não for necessário, não o façam publicamente.

sábado, 26 de maio de 2018

Sobre a "greve" dos caminhoneiros

Esta "greve" de caminhoneiros está muito estranha.

Sei que estou com informações parciais, incompletas, contraditórias etc, então vou falar só do que entendi até agora, e posso vir a mudar completamente de ideia depois.

Ela não é uma "greve"  clássica de trabalhadores. Ela é de caminhoneiros autônomos, que depois recebeu adesão de empresas de caminhões. É como se médicos e dentistas com seus próprios consultórios, advogados com seus próprios escritórios e camelôs fizessem "greve", e depois os hospitais e redes de hospitais, os grandes escritórios de advocacia e as redes de lojas e supermercados aderissem. Sim, não é uma greve clássica de trabalhadores reivindicando algo contra os patrões.

Ela não é contra patrões, e sim, contra o governo, e feita por patrões e trabalhadores autônomos, donos de seu próprio meio de produção, o seu próprio caminhão. Não se enquadra legalmente como lockout, pois não é contra os funcionários. Mas parece ser parecida com uma "greve de patrões".

É mais uma paralisação de serviços e de prestação de serviços por seus prestadores, afetando toda a população e o governo, com reivindicações contra o governo. Não é tecnicamente uma greve.

Acredito que deva ser um conjunto de grupos muito diverso, composto por autônomos e por empresas, com diferentes reivindicações e visões políticas (desde a esquerda até a extrema direita fascista). E a chance de alguns grupos não aceitarem os acordos, especialmente grupos mais "radicais", mais "cabeça quente", é bem alta. Ou seja, pode acontecer uma greve rebelde sem ser tecnicamente greve. Uma coisa que facilita isto é o alto grau de insatisfação com a economia e com o governo atual.

Caminhoneiros devem ter sido afetados com desaquecimento da economia e a destruição do nosso parque industrial, pois isto deve afetar as oportunidades de trabalho deles, e talvez mais ainda dos autônomos. Eles certamente são afetados com os custos do combustível, a quantidade absurda de reajustes nos últimos 2 anos e quanto este aumentou neste tempo. Estas flutuações de preços criam uma insegurança sobre o preço que vai pagar o combustível. Isto fica claro com o que li sobre prazos entre reajustes do diesel, que alguns pedem que seja de 30 em 30 dias, outros 60 e outros 90 dias.

Existiam reclamações sobre a antiga política de preços, que demorava muito para reajustar, com alguns dizendo (sem mostrar dados) que isto estava falindo a Petrobrás, mas não levavam em conta que, em uma sociedade tão dependente do petróleo e dos combustíveis derivados dele, preços estáveis criam uma sensação de segurança e estabilidade em toda a sociedade. E parte desta confusão com os caminhoneiros é justamente por causa da perda desta sensação de estabilidade.

Não sei quanto eu deveria apoiar este movimento, e quais pautas deles deveria apoiar. Não tenho toda a pauta de reivindicações deles. Só tenho pontos desencontrados. Não sei quanto estão pensando só neles, e quanto estão pensando no bem geral da sociedade. Acho que nem eles tem direito uma pauta para toda a categoria.

E este acontecimento, especialmente pela adesão e repercussão, deixa claro que existem grandes insatisfações em toda a sociedade, e o fracasso do governo atual.

Para leitura adicional:

Greve de caminhoneiros ou Locaute de empresas?

Extremistas de direita tentam influenciar futuro da greve de caminhoneiros

A diferença entre a paralisação dos caminhoneiros de 2015 e 2018

terça-feira, 24 de abril de 2018

Apertem os cintos que o Estado Democrático de Direito sumiu

Em um ato falho a Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro admitiu no twitter (@PCERJ) que acabou o estado democrático de direito, mas ainda chamam de democracia. Eles admitiram que foi abolida a Presunção da Inocência.

Primeiro vi um compartilhamento desta postagem do Saia da Matrix que alguns amigos fizeram no Facebook. Eu tentei achar o link e achei algumas coisas.

O repórter Rafael Soares (@rafapsoares), do Jornal Extra, fez a seguinte sequência de postagens no Twitter que explica tudo, que inclui esta publicação no site Jornal Extra.

A Polícia Civil diz que foi publicado sem autorização. Uma vez colocado em uma rede social pública, está publicado. E quem teria publicado sem autorização? O repórter Rafael Soares, ou algum funcionário da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro com permissão de publicar no Twitter deles?

Uma captura de tela com a publicação sobre a remoção está abaixo. Fiz isto para preservar, pois não me assustaria que também fosse apagada.


terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Paraty e excesso de carros de turistas

Um desabafo e uma proposta.

Paraty fica com um sério problema de espaço para estacionar quando a cidade lota, como agora no carnaval, mas também acontece na FLIP, no Festival da Pinga etc.

Isto se deve a muitos turistas que vem de carro para a cidade, mas não tem a consciência que a cidade é pequena para tantos carros, e que é pequena o suficiente para se fazer os caminhos à pé. Muitos insistem em dirigir até perto dos eventos, e depois não tem lugar para estacionar.

Aliás, muitos possivelmente são viciados em carro, não sabem viver ou se deslocar sem usar o carro.

Ontem de noite vi um congestionamento bem complicado em uma pequena rua periférica.

E ainda vi muitos abusos de estacionamento irregular. Um deles deu partida neste desabafo.


sábado, 27 de janeiro de 2018

Como um Coxinha de classe média pode ser mais pobre do que um mendigo de rua

Coxinhas, me lembrei de um texto que li a algum tempo atrás.

Ele falava de patrimônio das pessoas, mas não só incluía bens, como também incluía as dívidas nas contas do patrimônio. O resultado era deveras curioso.

Sabem que muitas, realmente muitas, pessoas de Classe Média (isto inclui muitos de vocês, Coxinhas) são mais pobres do que os mendigos das ruas?

- Mas eu moro em um apartamento de 4 quartos, tenho um carro de luxo, TV LED de 60 polegadas, computador, celular, como posso ser mais pobre do que um mendigo de rua?

sábado, 30 de dezembro de 2017

Sobre medos profundos, inclusive um dos meus

As pessoas tem medos tão profundos, tão dentro de si, que não conseguem verbalizar ou compreender direito. Muitos destes medos nem são reconhecidos, inclusive porque, se for reconhecido, pode implicar em ter a assustadora situação de ter que encarar ele.

Eu tenho, você tem, todos tem estes medos.

E pensando sobre este vídeo me ajudou a entender um pouco mais um dos meus maiores medos, e a me tornar capaz de verbalizar ele, pelo menos em parte.

Um dos meus maiores medos é me tornar incapaz de aprender, de criar e testar novas ideias, de fazer novas associações de ideias, de continuar inventivo. Eu, mesmo não sendo capaz de verbalizar isto direito, encaro este medo todos os dias, luto contra ele todos os dias, me desafiando a aprender coisas, a observar o mundo, a coletar informações, a criar e testar novos modelos, novas coisas etc.

Sorte que eu tenho grandes aliados nesta minha luta, a minha grande curiosidade, o prazer que sinto quando aprendo algo, e o meu ateísmo, pois o ateísmo elimina o deus das lacunas, a "explicação" fácil do "foi deus que quis assim".

Mas isto me faz pensar por que algumas pessoas são tão reacionárias, sendo mais do que simplesmente conservadores. Elas devem ter medo de que os modelos que fizeram para o mundo não sejam válidos, ou que, com as mudanças do mundo, os seus modelos de mundo se tornem inválidos. Elas tem medo de mudarem, de se adaptarem, de mudar de opinião, e de que o mundo mude. Mas não reconhecem este medo, pois ele é muito assustador de se encarar.

Não é de se espantar que muitos destes sejam religiosos, pois algumas religiões criam um modelo de como o mundo é, ou deveria ser, de forma muito rígida, dogmática. E algumas pessoas se apegam a isto de forma muito ferrenha, pois dá uma sensação de ordem e de simplicidade, que é falsa. O mundo, o universo, é o caos e a eterna mudança, e está aí para aprendermos com ele.

Talvez isto explique por que algumas pessoas, como eu, adora os seriados Cosmos (tanto o de Carl Sagan, Cosmos, quanto de Neil DeGasse Tyson, Cosmos: A Spacetime Odyssey), e outras tenham medo dele.