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Sou viciado em computação, Internet e Fotografia. Morei por quase 6 anos, e ainda frequento, Paraty. Sou usuário de softwares Open Source, tendo dado algumas contribuições em diversas ocasiões.

sexta-feira, 24 de março de 2017

Privatização da polícia e seguradoras - sobre um boato

Tem um boato que ouvi que me preocupa muito. Não sei quanto é real, quanto é boato, quanto é mentira etc, mas não deixa de ser preocupante.

Este boato é sobre recuperação de carros roubados. Ele fala que a polícia só, ou principalmente, recupera carros roubados quando ele está no seguro, pois as seguradoras tem um esquema de pagar aos policiais por recuperação de carros. Uma espécie de prêmio. Se não tem este prêmio, a polícia não faz nada quando o seu carro é achado. Aliás, nem procuram o carro.

Isto é preocupante de diversas formas.

terça-feira, 21 de março de 2017

Explorando o turismo dos outros, com destaque em Paraty

Alguém, quando em viagem, presta atenção onde são feitas as lembranças que compra? Acho que ninguém ou quase ninguém. Talvez a exceção sejam os turistas que compram cachaças de Paraty, e outros produtos muito característicos do local que visitam. Eu tenho observado isto a algum tempo.

Isto ficou mais claro no outro dia, quando ganhei uma lembrança da Disney. Escrito logo abaixo de "Florida" estava escrito - em letras pequenas, mas ainda bem visíveis - "China". E a etiqueta estava escrita "Made in China" de forma bem visível. A lembrança da Disney era chinesa. Nem em outro estado dos EUA ela era fabricada. Era fabricada do outro lado do mundo.

Morei por anos em Paraty, e reparei que muitas lembranças eram de fora de Paraty. Conhecendo o nome de algumas fábricas de camisetas da cidade, notei que quase todas as lojas no Centro Histórico não vendem roupas produzidas na cidade. Cheguei a ter o seguinte diálogo com uma vendedora:

- Não conheço esta marca. - Eu falo olhando a etiqueta de uma camisa do tipo "lembrança de Paraty".
- É de Petrópolis. - Responde a vendedora.

Só tinham algumas lojas de artesanato local no Centro Histórico, e muitas delas não funcionam mais. As lembranças de Paraty, realmente de Paraty, se encontram nas cachaças nas lojas de cachaça, no artesanato indígena e quilombola vendido nas ruas dos Centro Histórico, em algumas barraquinhas e em poucas lojas.

Quase todas as camisas de lembrança de Paraty são feitas fora de Paraty. Um dos motivos alegados é por que é mais barata. Aliás, existem redes de lojas de lembranças que produzem em grande escala, e tem lojas em várias cidades turísticas. Com silk screen é fácil fazer isto. Uma estampa pode ser colocada em centenas ou milhares de camisas por um conjunto de telas, e deixam um espaço livre. Neste espaço livre, em algumas dezenas de camisas colocam o nome de uma cidade, em outras dezenas colocam de outra cidade etc, e assim usam uma estampa com nome de meia dúzia de cidades, e uma tela por cidade que é usada em dezenas de estampas. Podem até colocar o nome da cidade posteriormente, conforme as vendas e encomendas as lojas das cidades.

Com isto aconteceu uma "gentrificação comercial", especialmente no Centro Histórico.

Isto gera lucros, empregos etc, em outras cidades, (ou outros países, como no caso citado no início do texto), que poderiam ser locais.

Soluções para isto? Podem ter incentivos fiscais, campanhas com turistas, mas uma das mais baratas de implementar talvez envolva um selo tipo "Made in Paraty" (ou com o nome da cidade se for outra) e uma campanha informativa com alguns cartazes nas lojas que vendam produtos feitos nos locais. Inclusive artistas que vendem na rua, como os índios e os quilombolas, deveriam receber este selo.

Os critérios devem ser bem definidos para que se maximizem os trabalhos locais. Um exemplo com camisas. Não tem fábrica de tecidos, mas todas as camisas que foram totalmente processadas a partir deste ponto, como o corte do tecido, modelagem, costura, criação da estampa, criação de telas de silk screen, pintura etc, poderiam receber o selo, mas se o tecido já chegou na cidade cortado, ou a tela de silk screen foi feita fora da cidade, ou a arte da tela veio de fora, não receberiam este selo.

Isto tornaria a exploração do turismo de forma mais ampla localmente, gerando mais empregos e circulando mais a economia local. Ela é menos transferida para outros lugares. Uma desvantagem é que pode tornar a economia mais frágil às flutuações do turismo, o que pode ser amenizado com uma diversidade econômica maior, e venda de produtos para outros lugares.