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Sou viciado em computação, Internet e Fotografia. Morei por quase 6 anos, e ainda frequento, Paraty. Sou usuário de softwares Open Source, tendo dado algumas contribuições em diversas ocasiões.

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Uma brecha para um fascista

Era muito comum no Facebook, e ainda tem muita gente que pensa assim, muitos até falam que os que dependem de Bolsa Família são um bando de vagabundos, que deviam trabalhar, que estão roubando dinheiro dos impostos que eles pagam etc. Alguns partidos pensavam assim, e até falavam isto.

As campanhas de ódio tem surtido este efeito, entre outros.

Mas agora o PSDB, o partido mais representante da direita atualmente, disse ser favorável ao programa Bolsa Família, depois de anos fazendo campanha contra, deixando os que são contra este programa meio órfãos, talvez até se sentindo traídos.

Assim surgiu uma brecha para um maluco de ultra-direita, um fascista, se aproveitar, fazer campanha para estes eleitores, e conseguir votos.

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

O perigoso discurso do ódio

Um dos pontos mais marcantes desta eleição foi o discurso do ódio, que contaminou a eleição toda, e não terminou ao final dela.

Mesmo existindo ódio do lado dos simpatizantes PT contra os PSDB, o que mais vi foi ódio anti-PT sendo explorado pelos candidatos de oposição, especialmente pelo candidato do PSDB. Muitas pessoas não votaram por razão, e sim, por ódio. Muitas destas pessoas perderam completamente a razão e sempre faziam discursos contaminados por ódio. Muitos nem sabiam as propostas do candidato em que iria votar, só odiavam o PT. As redes sociais ficaram cheias de discursos de ódio.

Para piorar, alguns meios de comunicação ainda incentivam o ódio. Aliás, tem  feito isto a algum tempo.

Eu acho uma grande irresponsabilidade incentivar o ódio. Ódio cega, gera intolerância, e pode se tornar incontrolável, pode explodir. Eu me lembro dum tempo no qual os anúncios dos jogos de futebol acirravam as rivalidades entre torcidas. O resultado disto foi uma grande batalha campal em um estádio, com muitos mortos e feridos. Logo depois disto os anúncios de jogos mudaram de tom. Será que não previram que isto poderia acontecer? O resultado foi uma grande investigação, com muita gente que foi filmada praticando violência sendo processada. Mas não lembro de nenhum processo contra os que acirravam as rivalidades entre as torcidas. Como pode-se entender, foram os manipulados pelo ódio, pela rivalidade, que não compreenderam a manipulação, que foram as punidos (Fora os que foram as vítimas.), e os manipuladores nem foram tocados.

Alguns meios de comunicação tem incentivado este ódio político contra o PT de forma irresponsável. Talvez até por interesses políticos, econômicos etc, talvez para "vender jornal", para usar escândalos e indignação para chamariz para "vender jornal". Eles esquecem que o ódio é difícil de controlar, e pode gerar ódio de volta, como o que aconteceu com as pichações no protesto contra a editora da revista Veja. (Também sou contra o vandalismo que fizeram, e acho que talvez nem devesse ter tido este protesto.)

Aliás, quase toda a imprensa brasileira está viciada em escândalos, notícias ruins, rancor, pessimismo, mortes, notícias que inflam ódio etc, e seus leitores estão viciados nisto. Parece que o brasileiro ficou tão acostumado em rir da sua desgraça que agora só procura desgraça, e para piorar mais, pararam de rir delas.

Este estado de ódio e rancor que é cultivado sobra para outros lados, mesmo contra alvos para os quais não são apontados inicialmente. Serve também de exemplo para outros que gostam de poder, e também cultivam o ódio como alguns religiosos que incitam ódio e intolerância contra outras religiões, contra ateus, contra homossexuais etc.

Uma coisa vale deixar claro, o ódio é o motor da intolerância e o seu principal fundamento. E ódios se somam.

Agora pegue um indivíduo com ódio acumulado, cego, vindo de diversas fontes - assim ele facilmente se torna um intolerante - e então se cria o potencial para uma tragédia, uma morte etc. Este indivíduo ainda pode ser mais um propagador de declarações de ódio contra outros grupos, mais um a cultivar o ódio. Ódio tende a se multiplicar se não for combatido, se não for freado, exposto.

Precisamos mudar, a imprensa precisa mudar, os meios de comunicação precisam mudar, parar com este tom pessimista e cultivador de ódio, antes que aconteçam mais tragédias, ou uma grande tragédia. Quando eles vão agir para o bem de todos, e combater este clima que ajudam a criar. Ou estão esperando uma grande tragédia para se conscientizarem, como no caso da partida de futebol citada acima?

PS: Quando eu estava terminando me lembrei mais um ponto, sobre os humoristas. Muitos fazem humor irresponsável, que ajudam a pregar o ódio, o preconceito, a desesperança, como piadas de "bichinhas", de "preto", de "judeu", da pessoa sempre levando prejuízo etc. E muitos são irresponsáveis e acham que o humor deve ser irresponsável.

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Sobre corrupção na ditadura

Muita gente reclama da quantidade de corrupção atual, que nunca se falou tanto em corrupção etc, mas claro que agora se vê muita corrupção, o que, ao contrário do que muitos pensam, é bom. Agora se investiga, se expõe. Em governos anteriores pouco era investigado, pouco era exposto.

Quer saber quando a corrupção corria solta e ninguém falava nada, mas todos sabiam? Na ditadura militar. Por que? Existia medo de ser preso e torturado, de ser fichado como subversivo, de desaparecer etc. A repressão foi grande aliada da corrupção.

Esta é uma lista de exemplos de como rolavam as histórias de corrupção de boca em boca.

  • Se o seu carro fosse rebocado, nem adiantava ir lá buscar, pois iria achar o seu carro todo depenado. Os próprios funcionários do DETRAN faziam isto.
  • Durante a campanha eleitoral de 1982 apareceu uma construtora falando de fazer obras de asfaltamento em duas ruas em Vaz Lobo, um bairro da Zona Norte da cidade do Rio de Janeiro. Alguns operários trabalharam na rua, mas sumiram depois da eleição. Quando os moradores foram cobrar o asfalto da rua, depois das eleições, descobriram que as ruas constavam como asfaltadas. O que aconteceu realmente?
  • A loja do meu pai foi assaltada, e quando foi fazer queixa na polícia os policiais pediram dinheiro para prender o assaltante.
  • Policiais que faziam batidas em favelas costumavam roubar coisas dos moradores de lá. Por isto que o Brizola impôs limites nas ações policiais. Existiam histórias que policiais resolviam do nada fazer uma "batida" em uma favela, sem ordens superiores, sem ordem da justiça etc. (Aliás, por que a inviolabilidade do lar foi uma das coisas em destaque na constituição de 1988?) E o que aconteceu no primeiro dia do governo Moreira Franco depois do primeiro governo do Brizola? Policiais assassinaram um jovem em uma favela. Deram o azar de não ser o filho de um pobre. Mesmo não sendo mais na ditadura, esta era uma típica atitude da PM da ditadura.
  • Existiam casos de funcionários de delegacia que só entregavam documentos que eram requeridos lá mediante propina, inclusive o ridículo atestado de idoneidade política.
  • No DETRAN você nem precisava fazer prova. Basta pagar a propina. E em alguns casos não adiantava saber dirigir, pois mesmo assim seria reprovado se não pagasse a propina. O DETRAN tenta se livrar deste fantasma até hoje.
  • Lembro de um caso famoso de uma viúva tentando fazer reconhecimento dos policiais que mataram o marido dela na frente dela. Os comandantes deviam saber quem eram os culpados, pois, segundo ela, eles nunca apareceram nas sessões de reconhecimento, e ela falou que viu policiais aparecerem mais de uma vez nas sessões de reconhecimento. E isto foi com a imprensa em cima.

Isto são as coisas que me lembrei agora. Tem muito mais. Ou seja, estamos, com estes escândalos, muito melhor.

E a imprensa era reprimida também. Por exemplo, nem o JB tem o seu acervo inteiro, pois a ditadura tomou o acervo deles. O único lugar que tem o acervo completo é a Biblioteca Nacional. Com a imprensa reprimida, melhor para os corruptos, pois sabiam que não seriam expostos pela imprensa.

Prefiro ver notícias de corrupção do que o faz de conta que que ela não existia do tempo da ditadura.