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Sou viciado em computação, Internet e Fotografia. Morei por quase 6 anos, e ainda frequento, Paraty. Sou usuário de softwares Open Source, tendo dado algumas contribuições em diversas ocasiões.

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

O Facebook está falindo?

Façam backup de tudo que é importante que tenham no Facebook.

Não deixem nada importante somente nele. Tenham em outros lugares.

O Facebook está agindo como se precisasse desesperadamente de dinheiro, como se estivesse em más condições financeiras.

Ele, meses atrás começou, de vez em quando, sugerindo que eu pagasse para que as minhas publicações fossem vistas por mais gente.

Depois começou a sugerir mais. Depois passou a perguntar em todas as publicações que eu fazia nas minhas páginas.

Poucas semanas atrás começou a insistir mais ainda, colocando estas mensagens na lista de notificações.

Agora atingiram um novo patamar, o de mandar e-mail pedindo dinheiro para espalhar as minhas publicações.

Isto me soa desespero para arrecadar dinheiro.

sábado, 21 de outubro de 2017

Desumanizaçã do trabalhador

Trabalhei em uma empresa de software que gostava de chamar os programadores de recursos.

Eu odiava isto, pois despersonificava, desumanizava, as pessoas, o ser humano, o programador.

Eu me sentia como uma cadeira, uma mesa, um computador, energia elétrica, e não como um ser pensante. Chegaram a falar que era simplificação de "recurso humano", mas mesmo assim achava estranho, soava mal.

Aliás, tem algumas metodologias de desenvolvimento de software que despersonificam o programador, e ignoram que programar é produção intelectual, e não braçal. Mesmo com muitos programadores fazendo códigos parecidos, existem os que vão além, que tem uma compreensão maior do que estão fazendo e fazem códigos melhores, mais eficientes etc, e geralmente bem diferentes do que a maioria faz.

Estas metodologias tentam transplantar para o desenvolvimento de software o modo fordiano de produção, na qual cada operário faz uma única e simples tarefa, tal como uma máquina. E assim pessoas são descartáveis, como ferramentas.

Um dos motivos é a não aceitação das empresas de software que o software é uma produção intelectual, tal como obras de arte, que por vezes é criada de forma coletiva, por uma equipe. Este tipo de reconhecimento traria muitas implicações que não existem em produções industriais nas quais operários sempre fazem a mesma tarefa repetitiva na quais eles foram instruídos/treinados.

Mesmo trabalhadores que foram treinados/instruídos para fazer uma simples tarefa, são pessoas, e não máquinas. Elas tem direitos a serem respeitados. Elas tem uma vida. Mas, em nome do lucro, muitos empresários não querem ver isto. Só os veem como instrumento de produção, e nem sequer como potenciais consumidores (no fundo isto é contraditório).

Algumas coisas podem ser vistas na matéria do e-Farsas sobre fraldas no trabalho e alguns abusos, na matéria sobe o repórter infiltrado na fábrica da Foxconn, na entrevista do Benjamin Steinbruch ao UOL (não vi na íntegra) tem algumas coisas para se entender o que um empresário fala das leis trabalhistas (aqui tem o detalhe sobre a hora de almoço) etc.

O capitalismo, especialmente o modelo neoliberal, é concentrador de renda, e é auto-predatório. O máximo que consegue ver as pessoas é como consumidor e como meio de produção, e muitas vezes nem veem como as duas coisas ao mesmo tempo (Basta ver produções em países pobres, pagando mal aos trabalhadores, para tudo ser consumido em países ricos.). Então a visão de que são pessoas está muito limitada a estes dois pontos de vista.

terça-feira, 19 de setembro de 2017

Uma vida falsa com a ajuda de redes sociais

É muito fácil ter uma vida falsa com a ajuda de redes sociais. Isto foi provado pela designer Zilla van den Born em seu trabalho acadêmico no qual simulou uma viagem à Tailândia.

Eu já ouvi falar de gente ir a algum lugar caro, ou fazer uma viagem, e neste lugar fazer uma sessão de fotos com muitas trocas de roupa, arranjos de cabelo, produções etc. Esta sessão é feita em algumas horas, e as fotos são usadas por meses, até um ano inteiro, sendo que em cada mês só as fotos com uma produção é postada, simulando assim uma viagem por mês ao local. A pessoa então, indo uma só vez ao local, simula que frequenta o local o ano inteiro.

Mas parece alguém resolveu levar isto, esta vida falsa postada nas redes sociais, para outro patamar. O fotógrafo (?) brasileiro (talvez) Eduardo Martins (Será que é este realmente o nome dele?) criou toda uma vida como fotógrafo de guerra, como fotógrafo da ONU, como estando nas mais diversas frentes de batalha, e como surfista em tempos vagos. Tudo isto divulgando nas redes sociais. Ele fez sucesso até que algumas coisas começaram a não se encaixar.

A BBC resolveu investigar e aí a história ruiu de vez. As fotos não eram dele, e sim, de outros que ele modificava um pouco para dificultar o reconhecimento, além de inventar outra história para a foto. Vários meios de imprensa (inclusive o The Wall Street Journal) descobriram que foram enganados por ele, publicando fotos de outros que ele roubou. Inclusive grandes agências de fotos foram enganadas por "ele" (A esta altura até se é "ele" ou "ela" eu não daria certeza.).

Detalhes nesta matéria da BBC.

Atualização

Depois que escrevi o texto descobriram quem é o surfista das fotos, e não é mesmo o fotógrafo. Ele é surfista e faz excursões de surf, e nunca foi para uma zona de conflito. Aparentemente o "fotógrafo" fez contato com ele algum tempo atrás, e usou as imagens de redes sociais dele.

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Em busca de uma outra rede social

Estou em busca de uma outra rede social. Uma que não parece existir. Uma que só tenham pessoas inteligentes, que saibam discutir assuntos e falar amenidades.

Uma que não tenha a gana de fazer dinheiro, ou de se gabar de ter o maior número de participantes.

Uma na qual todas as publicações tenham a mesma chance de serem vistas, e não as que pagarem serem as mais vistas.

Uma que não tenha pena de suspender ou banir quem for necessário suspender ou banir para manter o ambiente saudável.

Uma que tenha espaços para comentários grandes, e não os pequenos que só dá para escrever "Linda", "Gostosa", "Oooohhhhh" etc, e que mais que isto tem que ficar rolando texto.

Uma que não tenha frescuras com fotos de nudez, mesmo que elas tenham que ser marcadas para a pessoa escolher ver ou não.

Uma que tenha liberdade de expressão, mas que, principalmente, exija que as pessoas saibam o que é liberdade de expressão e opinião, e que ódio não é opinião. Muitos defensores do ódio, de doutrinas de ódio, como homofobia, misoginia, antissemitismo, ódio religioso, supremacia branca, nazismo etc, usam erroneamente o argumento de que o que falam é opinião, então tem o direito de expressar.

Uma em que os ataques de denúncias caluniosas em massa, mandadas por uma pessoa contra outra pessoa, surtam punições aos que fizeram a denúncia, e uma punição mais rígida ainda para quem coordenou o ataque.

Uma que exija o respeito aos Direitos Humanos, e que discursos como "Direitos Humanos é para defender bandido.", "Direitos Humanos para humanos direitos.", "Bandido bom é bandido morto." etc, representem a suspensão ou o banimento.

Uma rede social assim pode até se gabar de ter o ambiente mais saudável, as pessoas mais inteligentes etc.

Infelizmente eu conheço muita gente que se entrasse em uma rede social assim, ou a abandonariam, ou teria que se segurar muito e passar a pensar no que falam, ou acaberiam banidas.

Se já tem uma rede social assim, por favor, me avise, me digam qual é. Não duvido que alguns amigos meus queiram participar dela.

domingo, 6 de agosto de 2017

Programa Rebatendo

Tive uma ideia de programa de TV, ou para YouTube etc. Ele se chamaria "Rebatendo" e seria muito polêmico.

O problema é que possivelmente só teria uma única temporada, e ela teria que ser toda gravada antes de ir para o ar.

Os assuntos seriam:

- Negação do aquecimento global (Já sei quem entrevistar neste caso.)
- Terra Plana
- Terra Oca
- Astrologia
- Heliocentrismo (Se achar alguém defendendo isto.)
- Negação à ida à Lua (Acho que sei onde achar quem entrevistar.)
- Liberação das armas
- Cristais
- Homeopatia
- Neoliberalismo (Alguém do MBL? Onde achar alguém com algum nível intelectual para defender isto?)
- Programas sociais (Alguém contra programas sociais em geral.)
- Negacionista do Holocausto
- Quiropraxia
- Medicina alternativa
- Acupuntura
- Anti-vacinação
- Dietas estranhas
- Criacionismo
- Design Inteligente (Talvez junto com o Criacionismo.) (Deve-se chamar alguém do Núcleo Discovery-Mackenzie da Universidade Mackenzie.)
- Curas pela fé
- Exorcismo e possessões
- Nibiru (Talvez, mas aí já é bem absurdo, e difícil de achar um defensor disto.)
- Etc

Já estão vendo, pelos assuntos, que é polêmico. Mas o pior está adiante, que explica porque possivelmente só terá uma temporada e terá que ir ao ar somente depois desta temporada pronta.

Cada programa poderia ter cerca de uma hora, começando com cerca de 20 minutos a meia hora com alguém falando de um dos assuntos listados acima.

A segunda parte é uma entrevista, ou um conjunto de entrevistas, ou uma entrevista em conjunto, ou uma matéria etc, rebatendo tudo o que o entrevistado do primeiro bloco defendeu. Este segundo bloco tem que ser feito por pessoas sérias, pesquisadores, cientistas, professores universitários etc. Gente de ciência que conhece bem o assunto, usando a ciência, a lógica, dados, dizendo fontes etc, tudo o que a ciência de verdade é.

Os participantes do segundo bloco teriam assistido o primeiro bloco e tido um tempo para preparar o material para resposta, rebatendo os argumentos do primeiro entrevistado.

Sei que vai deixar muita gente furiosa, especialmente os entrevistados no primeiro bloco de cada programa, e depois de ir ao ar dificilmente vai se conseguir mais entrevistados.

Seria polêmico, trabalhoso pelo levantamento de material, de entrevistados etc, mas talvez seja necessário.

PS: Podem colocar nos comentários mais assuntos interessantes para este programa.

sábado, 24 de junho de 2017

O Facebook é uma rede social igualitária?

O que seria uma rede social igualitária? Eu diria que seria, entre muitas coisas, uma rede social na qual as postagens de todos tivessem a mesmas chances de serem vistas e curtidas, dependendo somente dos contatos da dono da postagem, de quanto ele consegue se promover pessoalmente, e do conteúdo da postagem. Mesmo assim poderiam ter aberrações, pois as pessoas poderia abusar de outros meios de divulgação para obter seguidores.

Mas - por querer arrecadar, e talvez até ganância - o Facebook não é uma rede social igualitária. Ela abre a chance de abuso de poder econômico.

Olhem abaixo uma das muitas propostas que recebi no Facebook ao publicar uma foto em uma das minhas páginas.


Isto implica que, se você publica algo que quer que seja divulgado, poderá ter muito mais alcance se pagar. As publicações deixam de ter chances igualitárias, e passam a serem influenciadas por dinheiro.

Empresas podem usar isto para aumentar o alcance das publicações de seus produtos.

Mas existe um lado sombrio que alguns já devem ter percebido. Imagine que você tem uma ideia, uma ideologia etc, e ela interessa a alguém. Ou se você quer fazer uma campanha contra alguém.

E os interessados na sua ideia, ideologia, campanha etc, (ou você mesmo) tiverem dinheiro, e estiverem afim de investir nisto, podem pagar ao Facebook para que as ideias, mensagens, memes, imagens, publicações etc (incluindo as postagens ofensivas aos adversários), sejam divulgadas em larga escala.

Nisto o Facebook ajuda a divulgar o que interessa aos quem tem poder econômico, e não o que interessa às pessoas em geral. E o que interessa a quem tem poder econômico? Ter mais poder econômico, e obter poder político.

Assim campanhas podem ser feitas para atacar empresas, produtos, políticos, ideologias, pessoas, até para desestabilizar países.

Isto me faz pensar. Será que a Primavera Árabe realmente foi um despertar do povo árabe? E as passeatas de meados de 2013 não foram uma primeira tentativa de desestabilizar o Brasil? E as pesadas campanhas difamatórias no Facebook nas eleições de 2014 não foram financiadas, e com postagens pagas? Será que a ascensão da direita e do neoliberalismo, com destaque nas redes sociais, não foram com financiamento por grupos interessados? Será que a invasão do Instituto Royal não foi um teste de manipulação de massas, ou algo pago por algum concorrente?

Será que divulgações falsas e alarmistas tais como a que dizia que o Lauril Sulfato de Sódio era cancerígeno não passaram de um teste para saber como estas coisas se espalhariam?

Será que a nova forma de terrorismo internacional não usa mais armas e bombas diretamente, e sim, manipulação das pessoas nas redes sociais?

Sim, cheguei ao ponto de teoria da conspiração, mas com uma diferença. Uso isto para criar dúvidas, e não certezas.

Mas voltando ao assunto. Sou favorável à total proibição de postagens pagas, de divulgação paga de postagens em redes sociais, especialmente no modelo que o Facebook está fazendo.

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Design Inteligente e Campo Minado

O Campo Minado é um jogo de computador viciante para algumas pessoas, e algumas jogam bem ele, inclusive eu. Ultimamente eu tenho jogado muito o mais simples, o que tem somente 10 bombas.

Existe a possibilidade de um jogo ser resolvido com um único clique, em zero segundos. Um jogo pode ser construído artificialmente para que isto aconteça. Mas com uma grande quantidade de tentativas, e um bom tempo de tentativas, existe a chance encontrar um jogo que resolva em um único click. Como eu sei? Aconteceu comigo.


Os defensores do Design Inteligente dizem que a vida, os animais etc, são complexos demais para terem se formado sem a intervenção de um criador inteligente. Eu digo que estão errados.

Um criador inteligente poderia criar um jogo de Campo Minado que se resolve em um único clique no lugar certo. Mas com muitas tentativas, pode acontecer, como aconteceu comigo, de espontaneamente gerar um jogo que se resolva em um único clique.

A natureza teve bilhões de anos para fazer tentativas e erros. Pela Seleção Natural os erros vão sendo eliminados, os acertos vão progredindo, e as mutações que não fazem diferença vão ficando perdidas no meio disto tudo. E assim, com uma sucessão de acertos (A Seleção Natural ajuda a ditar o que é "acerto".), progredindo passo a passo, chegamos à complexidade da vida atual no planeta.

Não precisa de nenhum criador inteligente, e sim, tempo, tentativas e seleção, e estas 3 coisas aconteceram, e ainda acontecem.

Atualização, 23/06/2017:

Achei que nunca repetiria a façanha... Mas o acaso permite que muitas coisas aconteçam.


Atualização, 27/10/2017:

E o acaso me fez repetir a façanha.



sábado, 15 de abril de 2017

Problemas com uma ida à Paraty

Em geral as viagens que faço para Paraty transcorrem sem problema, mas quando dá problema, tem vezes que é grande.

Uma vez foi o ar condicionado com problema, achando que o ônibus estava com 41 graus dentro, e tentando gelar. Estava tão frio dentro do ônibus que estava condensando do lado de fora. Neste caso o ar condicionado foi colocado em ventilação, e a viagem seguiu sem problemas.

Outro foi bem pior, a viagem de mais de 8 horas, quando deveria ser no máximo de 4 horas e meia, pois caiu uma barreira na estrada. Teve gente que passou mal dentro do ônibus. Pegamos umas estradas ruins para contornar a queda de barreira.

Outras foram engarrafamentos descomunais, mas a empresa também não tinha culpa.

Mas esta ida superou tudo. Adiante o relato que enviei para o site Reclame Aqui.

sábado, 1 de abril de 2017

Trump Decreta que a Terra é plana

Trump decreta que a Terra é plana seguindo o modelo da Flat Earth Society. Isto vai trazer grandes economias, tanto no sistema educacional quanto na NASA.

Agora todos os globos escolares serão abolidos, e serão substituídos por mapas planos, que são muito mais fáceis e baratos de produzir. Também serão abolidos as maquetes de sistema solar usadas para explicar sobre os planetas etc.

Agora a NASA, as empresas privadas e as outras instituições governamentais dos EUA, não mais lançarão satélites. Já que agora a terra é plana, não existe mais a necessidade disto. Nem mais naves de exploração do espaço. A economia estimada é de bilhões de dólares por ano.

As rotas de aviões e navios foram simplificadas, pois não tem mais uma curvatura do planeta para levar em conta.

As rotas de aviação nos EUA, na Europa, e vôos entre os EUA e a Europa ficaram mais simples e curtas. Isto pode baratear os vôos e trazer uma grande economia de combustível nas rotas aéreas mais ocupadas do mundo. As empresas aéreas e os passageiros agradecem.

sexta-feira, 24 de março de 2017

Privatização da polícia e seguradoras - sobre um boato

Tem um boato que ouvi que me preocupa muito. Não sei quanto é real, quanto é boato, quanto é mentira etc, mas não deixa de ser preocupante.

Este boato é sobre recuperação de carros roubados. Ele fala que a polícia só, ou principalmente, recupera carros roubados quando ele está no seguro, pois as seguradoras tem um esquema de pagar aos policiais por recuperação de carros. Uma espécie de prêmio. Se não tem este prêmio, a polícia não faz nada quando o seu carro é achado. Aliás, nem procuram o carro.

Isto é preocupante de diversas formas.

terça-feira, 21 de março de 2017

Explorando o turismo dos outros, com destaque em Paraty

Alguém, quando em viagem, presta atenção onde são feitas as lembranças que compra? Acho que ninguém ou quase ninguém. Talvez a exceção sejam os turistas que compram cachaças de Paraty, e outros produtos muito característicos do local que visitam. Eu tenho observado isto a algum tempo.

Isto ficou mais claro no outro dia, quando ganhei uma lembrança da Disney. Escrito logo abaixo de "Florida" estava escrito - em letras pequenas, mas ainda bem visíveis - "China". E a etiqueta estava escrita "Made in China" de forma bem visível. A lembrança da Disney era chinesa. Nem em outro estado dos EUA ela era fabricada. Era fabricada do outro lado do mundo.

Morei por anos em Paraty, e reparei que muitas lembranças eram de fora de Paraty. Conhecendo o nome de algumas fábricas de camisetas da cidade, notei que quase todas as lojas no Centro Histórico não vendem roupas produzidas na cidade. Cheguei a ter o seguinte diálogo com uma vendedora:

- Não conheço esta marca. - Eu falo olhando a etiqueta de uma camisa do tipo "lembrança de Paraty".
- É de Petrópolis. - Responde a vendedora.

Só tinham algumas lojas de artesanato local no Centro Histórico, e muitas delas não funcionam mais. As lembranças de Paraty, realmente de Paraty, se encontram nas cachaças nas lojas de cachaça, no artesanato indígena e quilombola vendido nas ruas dos Centro Histórico, em algumas barraquinhas e em poucas lojas.

Quase todas as camisas de lembrança de Paraty são feitas fora de Paraty. Um dos motivos alegados é por que é mais barata. Aliás, existem redes de lojas de lembranças que produzem em grande escala, e tem lojas em várias cidades turísticas. Com silk screen é fácil fazer isto. Uma estampa pode ser colocada em centenas ou milhares de camisas por um conjunto de telas, e deixam um espaço livre. Neste espaço livre, em algumas dezenas de camisas colocam o nome de uma cidade, em outras dezenas colocam de outra cidade etc, e assim usam uma estampa com nome de meia dúzia de cidades, e uma tela por cidade que é usada em dezenas de estampas. Podem até colocar o nome da cidade posteriormente, conforme as vendas e encomendas as lojas das cidades.

Com isto aconteceu uma "gentrificação comercial", especialmente no Centro Histórico.

Isto gera lucros, empregos etc, em outras cidades, (ou outros países, como no caso citado no início do texto), que poderiam ser locais.

Soluções para isto? Podem ter incentivos fiscais, campanhas com turistas, mas uma das mais baratas de implementar talvez envolva um selo tipo "Made in Paraty" (ou com o nome da cidade se for outra) e uma campanha informativa com alguns cartazes nas lojas que vendam produtos feitos nos locais. Inclusive artistas que vendem na rua, como os índios e os quilombolas, deveriam receber este selo.

Os critérios devem ser bem definidos para que se maximizem os trabalhos locais. Um exemplo com camisas. Não tem fábrica de tecidos, mas todas as camisas que foram totalmente processadas a partir deste ponto, como o corte do tecido, modelagem, costura, criação da estampa, criação de telas de silk screen, pintura etc, poderiam receber o selo, mas se o tecido já chegou na cidade cortado, ou a tela de silk screen foi feita fora da cidade, ou a arte da tela veio de fora, não receberiam este selo.

Isto tornaria a exploração do turismo de forma mais ampla localmente, gerando mais empregos e circulando mais a economia local. Ela é menos transferida para outros lugares. Uma desvantagem é que pode tornar a economia mais frágil às flutuações do turismo, o que pode ser amenizado com uma diversidade econômica maior, e venda de produtos para outros lugares.

sábado, 4 de fevereiro de 2017

Irracionalismo, fascismo e redes sociais

Acho que a culpa da ascensão do irracionalismo e do fascismo é das redes sociais.

Quando tudo era misturado, e alguém dizia um absurdo, os outros chamavam atenção. Era difícil montar grupinhos que pensassem absurdos iguais.

Mas os algoritmos das redes sociais criaram bolhas.

Para manter as pessoas felizes na rede social foi decidido não contrariá-las, apresentar os iguais e esconder os diferentes. Então os fascistas passaram a se conhecer. E achar que muitos pensam como eles. Deste modo é mais fácil para eles acharem que são donos da verdade. Perdeu-se cada vez mais a noção de diversidade.

Fora que redes sociais enviam mensagens de consumo fácil, especialmente as imagens, e os memes.

Um sinal disto é o desincentivo a ler e pensar (para manter o consumo fácil). O consumo tem que ser rápido, então ninguém pode escrever muito, ninguém pode ler muito. Não pode ter esforço . Assim reduziram o tamanho dos espaços para comentários.

Ainda, para manter as pessoas felizes, e não contrariá-las, abusos não são punidos. Para alguém ser punido no Facebook tem que mostrar um seio feminino, ou fazer uma sequência longa e grande de abusos.

E para ganhar dinheiro, o Facebook ainda implantou a possibilidade das suas ideias serem propagadas, as suas postagens serem mais propagadas, bastando pagar para isto. Isto quebra a democracia de ideias, pois quem tem dinheiro pode espalhar mais suas  ideias em detrimento dos outros. Isto é antidemocrático.

De certa forma, a gana de ser a maior rede social do mundo, e ganhar dinheiro, resultou nisto tudo, uma rede social socialmente doente ajudando a adoecer mais ainda a sociedade.