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sábado, 13 de agosto de 2016

Será que as vendas de carros não é um indicador econômico enganoso?

Tenho visto muitas notícias sobre quedas nas vendas de carros, dizendo que isto é sinal da desaceleração da economia, que é sinal de crise, até recessão. Será mesmo? Quanto será a contribuição de outros fatores que não são mencionados? Será que tem gente usando este argumento de forma tendenciosa?

Durante 10 anos a Classe C ascendeu, aumentou a renda, e um sonho de consumo de muitos é um carro. Carro é um símbolo de status social. Alguns compram carro por isto, mesmo que pouco precise dele.

Mas uma classe social é uma parcela limitada da população. Aliás, todo tipo de população tem um número finito de indivíduos.

Com um grupo social ascendendo financeiramente, este grupo vai consumir mais bens, inclusive bens duráveis. Eles vão comprar bens, equipar casas, se equiparem, mas vai chegar a um ponto no qual vão ter tudo o que querem ter, no qual só vão fazer trocas por envelhecimento e perda destes bens. Então o mercado vai desacelerar até chegar a um novo ponto de equilíbrio, sem novos clientes, equilíbrio mantido por substituições de produtos antigos.

Algo assim parece ter acontecido no início dos anos 2000 com a grande queda das vendas de CDs de músicas. Nesta época as pessoas terminaram de trocar os discos de vinil das suas coleções por CDs. Mas a indústria fonográfica acusou a pirataria por esta queda. Algo assim pode estar acontecendo com as vendas de TVs de LCD, que li que sofreu uma queda nas vendas, pois a maioria das pessoas já fez a troca das TVs de tubo de imagem por LCD. Também tem a questão das pessoas estarem passando mais tempo diante na Internet do que diante da TV, e assim precisando de menos TVs em casa. Outro fator foi a Copa do Mundo, que sempre provoca uma grande troca de TVs no Brasil, e nos anos seguintes as vendas caem.

Quando acontece um aumento de vendas de um produto por viabilidade de uma tecnologia, como as TVs LCD que passaram a ter preços viáveis, e até mais baratos, em relação às de tubo de imagem, como no caso dos CDs, acontece um boom de vendas, mas parece que muitos empresários não entendem isto, e acham que este nível de vendas será permanente, e não transitório. Muitos não assumem a sua falta de visão do mercado e buscam bodes expiatórios, como a pirataria.

Mas muitos que compraram carros não o usam frequentemente por uma grande variedade de motivos. Um é a conscientização da série de custos que ele trás, parte independente do uso (impostos e seguro, por exemplo) e parte dependente do uso (como combustível, pneus, óleo, pedágios, estacionamentos, manutenções, revisões por quilometragem etc). Então pouco uso causa pouco envelhecimento, e menos trocas por envelhecimento ou perdas acidentais.

Outros fatores fazem com que os carros sejam pouco usados, como melhorias nos transportes públicos (coisa que tem acontecido em algumas cidades), desincentivos ao uso de carros como diminuição de vagas de estacionamento em centros urbanos, pioras no trânsito por causa do aumento do número de carros etc, muitos vão desistir de usar carro, ou até mesmo tê-los.

Então temos dois fatores de saturação na venda de carros. Um é a esgotamento da clientela, quando a maioria dos potenciais clientes já foram atendidos. Uma solução é aumentar mais o poder aquisitivo da população em geral, tanto em valor, mas especialmente em alcance populacional, pois isto mudaria um ponto de saturação. O outro é saturação da usabilidade, da utilidade dos carros, que pode ser feito com desconcentração econômica, espalhando a população etc, espalhando assim o trânsito em uma área maior.

Mas como se trata de carro, que é poluente, existe um movimento de redução de uso de carros no mundo, o que deve afetar toda a economia mundial, tanto a automobilística e especialmente a do petróleo. Isto se torna um terceiro fator para afetar a venda de carros, mesmo que não seja tão importante no momento, mas pode se tornar no futuro.

Outros produtos não sofrem com todas estas limitações. O principal efeito dele é a saturação, que pode ser adiada com a melhoria de renda dos trabalhadores, tanto em valores, quanto em abrangência. Mas parece que parte do empresariado não percebe isto, por querem salários cada vez mais baixos para os trabalhadores, fim de benefícios dos trabalhadores etc.

Voltando à indústria automobilística. Uma queda de vendas pode acontecer por muitos fatores, como mostrado acima, e pode fazer com que um setor um setor econômico entre em crise, mas não pode ser usado puramente como indicador de crise econômica. Tem que analisar todo o contexto. Mas, por outro lado, se a economia depende muito de um setor econômico, esta queda de vendas pode ter grandes reflexos na economia. É o risco da "monocultura", na economia não diversificada.

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