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Sou viciado em computação, Internet e Fotografia. Morei por quase 6 anos, e ainda frequento, Paraty. Sou usuário de softwares Open Source, tendo dado algumas contribuições em diversas ocasiões.

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Assassinato de João Pereira

É incrível a quantidade de mentiras que inventam para falar mal do PT e de pessoas ligadas ao PT. E cada uma pior do que a outra. Parecem velhas fofoqueiras que gostam de inventar "babados" sobre os outros para falar mal. Claro que existem argumentos até sólidos que poderiam usar contra o PT, mas como não os conhecem, e/ou não sabem argumentar, resolvem mentir.


Vamos desmantelar este.

Quem foi João Pereira? Não sei. João é um nome "epidêmico", inclusive em famílias de ascendência portuguesa (experiência própria). Existem muitos homens chamados "João". E Pereira é um sobrenome português, se não me engano, que é muito comum. Mas e este da história? Qual é o registro de nascimento dele? Registro de alistamento militar não existe, por ele ter 17 anos nesta história. Qual outro registro existe dele senão os dizeres desta mensagem? A busca no Google resultou em uma grande quantidade de "João Pereiras", incluindo uma página com uma lista deles no Facebook. Parece algo como "Severino" de Morte e Vida Severina.

Onde mais tem o registro desta história? De onde tiraram? Quais são as testemunhas? Quais são as outras fontes? Buscando por "João Pereira esquartejado" eu achei um texto em um vídeo (não vi o vídeo por ser longo, mas li o texto) de um depoimento do Coronel Lício Augusto Maciel. Todas as outras fontes que encontrei apontam para esta única fonte, para este discurso de 26 de Junho de 2005, ou são cópias dele, e não achei qualquer outra coisa que corroborasse isto. Estaria o Coronel Lício falando a verdade ou não?

E na grande imprensa? Achei somente em comentários dos leitores do blog do Reinaldo Azevedo da Veja. Ou seja, tecnicamente não foi a Veja que publicou.

Segundo o Coronel Lício, o nome do pai dele era Antônio Pereira. O nome Antônio é também muito comum, inclusive em famílias portuguesas. Procurando no Google por "Antonio Pereira esquartejado" encontrei basicamente os mesmos artigos que achei procurando por "João Pereira esquartejado". A busca por "Antônio Pereira" também deu uma lista grande e heterogênea.

Tecnicamente, como todas as referências apontam para uma única fonte, sem mais nada sólido para corroborar, especialmente sendo só uma pessoa contando uma história, não se pode dizer se foi verdade. Qualquer um pode inventar coisas para contar. E será que, mesmo que tenha sido verdade, foi isto tudo que o Coronel contou? Ele lembra de todos os detalhes e nomes corretamente depois de mais de 30 anos do fato ocorrido? Ele lembra a autoria do crime corretamente? O cérebro das pessoas pregam peças, enganam as próprias pessoas e criando argumentos, detalhes e até histórias inteiras para corroborar as suas crenças.

O coronel fez fotos do corpo para comprovar? Ele teve o cuidado na época de pegar os nomes do pai e do rapaz esquartejado?

Levando isto em conta, não considero uma fonte confiável.

Mas agora vamos à acusação feita na imagem. Ter um depoimento de uma única pessoa é uma coisa, mas fazer acusações baseadas neste depoimento sem mais nada para corroborar é leviandade. Em um julgamento justo seria a clássica situação da palavra de um contra a palavra do outro, e a pessoa seria inocentada por falta de provas.

Agora vamos à parte mais nojenta. Para criar a autenticidade da história, fazer ela parecer mais sólida, precisavam de um rosto, de uma foto para o "mártir". Então resolveram caçar uma foto antiga na Internet para ser o "João Pereira". Isto mostra uma falta de escrúpulos com a história, com a pessoa da foto etc. Me dá a impressão que queriam acusar a qualquer custo. Então peguei a imagem acima e recortei a foto do rapaz.


A minha experiência de fotógrafo também estava fazendo um alarme tocar em mim. Esta roupa, especialmente este boné, não são coerentes com fotos tiradas na década de 1970. A fotografia já era algo meio corriqueiro, e não era muito comum para as pessoas se arrumarem tanto para fazer fotos. Mas poderia ter sido tirada em algum evento especial. Mas moda do boné é bem mais antiga que a década de 1970, pelo que eu sei.

A granulação da foto, os tons e a nitidez me parecem coerentes com fotografias de 80 anos atrás, ou mais, e não com fotos de 40 anos atrás. Alguém que conheça melhor processos fotográficos e filmes talvez possa dar detalhes melhor.

O rosto não parece de um rapaz de 17 anos, mas parece-me mais, mesmo assim jovem. Mas isto engana muito. E tem o formato do rosto. Alguém que conheça antropologia talvez possa ter algum palpite sobre a ascendência dele pelo formato do rosto. Neste caso eu agradeço se colocar nos comentários.

Estes 3 detalhes acima, especialmente os dois primeiros, me fez desconfiar da foto o suficiente para investigá-la.

A busca o Tin Eye foi improdutiva, mas a no Google Images foi muito produtiva. Achei esta foto em diversos lugares.

Como um exemplo de foto antiga:

http://www.novidadediaria.com.br/fotos/fotos-antigas-de-pessoas

Como a foto de um tataravô de alguém, o que é coerente com a impressão que tive da foto:

http://www.myheritage.com.br/person-1000116_162629511_162629511/tataravo

Como o que parece ser o avatar do perfil de alguém:

http://www.kboing.com.br/radio-show/playlists/761640/239766/

E num artigo de humor de um blog:

http://www.ivandecolombo.com.br/2014/02/voce-sabia.html

Também achei uma quantidade enorme de cópias da imagem que "inspirou" este artigo.

Ou seja, esta não deve ser a foto real de João Pereira, se é que ele realmente existiu. É uma foto antiga que pegaram em algum lugar e usaram para "dar uma face a um mártir", para dar uma sensação de realidade a uma história que não tem nada que realmente a corrobore.

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