Quem sou eu

Minha foto

Sou viciado em computação, Internet e Fotografia. Morei por quase 6 anos, e ainda frequento, Paraty. Sou usuário de softwares Open Source, tendo dado algumas contribuições em diversas ocasiões.

segunda-feira, 16 de março de 2015

Crises, psicologia e astrologia

Como estas 3 coisas citadas no título se relacionam?

Se você leu o meu texto "História da Astrologia e como nasceu dela a Astronomia", ou se viu Cosmos de Carl Sagan, sabe que a Astrologia em uma época poderia ser usada para derrubar reinos. Os astrólogos "liam" nos astros o destino de reis e pessoas, e se algum deles dissesse que alguém está destinado a ser o rei de um local, quem seria contra? (Tipicamente alguém que não acreditasse naquele astrólogo.) O mesmo acontecia quando se dizia que um rei iria cair.

Então, criar uma crença de crise é um modo de criar uma crise, mesmo que ela seja baseada em nada de concreto. Crises tem fatores psicológicos muito grandes.

Me lembro de uma crise econômica no Japão a mais de 20 anos atrás. Como estava em crise, as pessoas não gastavam, e economizavam, e isto desaquecia a economia, o que gerava mais crise, e fazia com que as pessoas economizassem e guardassem mais dinheiro, então mais crise. Então apareceu um grupo pop para adolescentes, e com ele um bando de bens de consumo, como camisetas, lembranças, e tudo mais que puder imaginar. O que aconteceu? Os adolescentes começaram a gastar dinheiro com as coisas deste grupo, e a economia começou a se reaquecer.

O clima de insegurança gera crise, que aumenta a insegurança, que gera mais crise. E o clima de insegurança inicial, que deu partida à crise, pode ter sido somente manipulação de mídia, um escândalo, uma notícia falsa, um FUD etc.

Pelo que eu soube, a crise de 1929 da Bolsa de Nova York foi desencadeada por um escândalo, mas como a situação estava fragilizada por uma série operações irregulares, virou bola de neve. Os investidores se desesperaram, pois antes tinham total confiança que tudo estava uma maravilha, mas quando esta confiança ruiu eles se apavoraram, o que deve ter causado uma onda de pavor crescente, e mais quedas.

Sim, crises são contagiosas, se espalham, em parte por que as pessoas se assustam, se apavoram, se preocupam demais. Não digo ignorar a crise, mas questionar o quanto desta crise é histeria e quanto é real. Pegar dados concretos, e nada abstrato.

Então crises podem ser fabricadas? Podem sim. E não é realmente difícil, especialmente para mídias de grande audiência. Na realidade é muito fácil. É uma notícia lá, outra ali, algumas notícias ruins acolá, notícias de variações negativas sazonais como algo novo, algumas preposições mal empregadas etc.

Um exemplo é noticiar que o índice de desemprego em Janeiro aumentou. Claro que aumentou, pois sempre aumenta em Janeiro. É o fim dos trabalhos temporários de final de ano, quando o comércio e a indústria desaquecem. Isto pode ser MUITO bem observado pelos gráficos deste site ((Sarcasmo on) Para os tolos histéricos anti-PT, o PT na URL quer dizer a versão em Português deste site, e não algo relacionado ao Partido dos Trabalhadores, algo pago por eles e nem nada disto. (Sarcasmo off)). Eu retroagi o gráfico até 2001, o que torna bem claro a sazonalidade das taxas de desemprego, e ainda se nota as quedas da taxa de desemprego nos últimos 11 anos.

Não só crises, até guerras são insufladas pelas mídias, tal como aconteceu com a Guerra Hispano-Americana. Nela os jornais ajudaram a criar opinião pública à favor da guerra. Eles pegaram uma situação potencialmente delicada e manipularam a opinião pública para ser favorável à guerra.

Antes de acreditar que estamos em crise, procure dados concretos e tente entendê-los. Ver opiniões de quem estuda estes dados no dia a dia, e se possível, ver muitas opiniões. Veja as definições de cada termo usado, pois tem vezes que o termo é mais assustador do que o que ele realmente representa.

Entenda não só a matéria que está lendo, mas pense no que tem atrás dela, quem a escreve e por que a escreve. Leia as entrelinhas de forma cética.

Tem uma comparação que ajuda a entender. Imagine em uma festa, uma balada, uma estação de trem cheia, estádio etc, e algum engraçadinho começa a gritar "Fogo". O que acontece? Pode causar uma situação de pânico causando muitos feridos e mortos por pisoteamento, esmagamento etc. Teve o caso de um evento religioso no Oriente Médio no qual alguém gritou no meio da multidão que tinha um homem bomba. Muitas pessoas morreram e ficaram feridas, e não houve nenhuma explosão. E o efeito contrário aconteceu em um grande show de rock, daqueles de mais de 100 mil pessoas na plateia, no qual um holofote se incendiou em cima do palco. Quase ninguém na plateia percebeu, porém quem me contou isto tinha percebido, e ainda sabia que, pela distância que estavam do palco, não estavam em risco e que causaria pânico se anunciasse. E equipe de iluminação agiu rápido para conter a situação, desligando o holofote e apagando o fogo. A cantora que se apresentava também percebeu, mas se distanciou do holofote e continuou cantando, para que a plateia não entrasse em pânico. Imagine se ela tivesse parado de cantar ou até mesmo se apavorado e gritado "Fogo.".

Crises podem ser comparadas aos eventos de pânico como citadas acima. Pode ter ou não ter algum evento real, mas a crise só se estabelece mesmo, causando toda a reação em cadeia, se as pessoas se apavorarem com ela, se elas ficarem histéricas, e não pensarem calmamente.

Pergunta para pensar: Quem está gritando "Fogo"? E por que está gritando "Fogo"? Realmente tem este fogo todo ou é só uma brasa ou o "ar condicionado não funcionando"?

Nenhum comentário:

Postar um comentário