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domingo, 15 de março de 2015

Trote é tortura?

Eu recebi pelo Facebook o seguinte link falando da CPI das Universidades e classificando os trotes como tortura e violação dos Direitos Humanos. Esta CPI da Assembléia Legislativa de Estado de São Paulo (Alesp) apurou violações sistemáticas aos direitos humanos praticadas nas universidades de São Paulo, especialmente na USP.

Antes mesmo de ler, já dei esta resposta:

Sob alguns aspectos trote é sim tortura e humilhação. E alguns inconscientemente sabem disto, e levam a humilhação aos extremos. Outros aceitam o trote por que pensam que é uma comemoração por terem entrado numa faculdade.

Ter o corpo todo pintado e sair esmolando na rua, em minha opinião, é humilhação.

O problema é que nem se encara que pode ser tortura e humilhação, banalizando, dizendo que pensar assim é bobagem. Alguns podem não querer pensar assim para poderem fazer o que quiserem com os semelhantes (Melhor explicado adiante.). Mas pensar assim ajuda a pensar em limites. Quando não se pensa em limites tudo passa a ser válido, até mesmo assédio e humilhação sexual, como dar notas as seios das garotas, forçando-as a desfilar sobre mesas alinhadas como passarela.

Na forma deturpada de alguns - aliás, esta forma deturpada é ainda propagada e dita como normal e certa - os calouros são inferiores aos veteranos e tem menos direitos pessoais, portanto os veteranos podem fazer o que querem com eles. Isto lembra a frase "Calouro não tem direitos.". No ano seguinte, estes que foram calouros, vão reproduzir, se não fizerem pior, o que lhe fizeram com os outros, e vão achar normal.

Esta mentalidade de que um calouro é inferior ao veterano, e por isto o veterano tem direitos sobre ele, abre brechas perigosas para alguns soltarem suas loucuras, seu ódio, suas neuroses, seu desrespeito às mulheres (talvez até com gays etc) etc, sobre os calouros, os inferiores. Mentalidades assim geraram a escravidão, o Apartheid, genocídios, foi a base do nazismo, e acho que de forma alguma deve ser aceitas.

Na Escola de Engenharia da UFRJ foi proibido trotes. Aconteceram abusos, inclusive jogaram guache em uma garota alérgica à guache, e ela foi parar no hospital.

Sim, sou contra trotes. Fazer uma recepção sim, trote não. Podem até ter lugares que fazem trote respeitoso, como o único trote que participei, como falso professor. Ele foi feito com a autorização do professor da turma, com ele assistindo do lado de fora da sala, e autorização do departamento da faculdade. Eu nem inventei matéria falsa para a aula, pois tinham coisas meio exotéricas que eles veriam anos adiante que resolvi usar (Sim, fiz programa de aula.). Quando descobriram que era aula trote não deixamos as pessoas saírem, respeitando todos, e o professor entrou. Explicamos que aquilo foi autorizado, pois trotes são proibidos na faculdade. Recomendamos que não aceitassem e denunciassem se alguém tentasse dar trote neles. Falamos ainda que, em qualquer dúvida, problema etc, procurassem um veterano. Foi mais uma brincadeira e uma apresentação. Durou menos de meia hora.

Os abusos de trote ainda se propagam entre faculdades, como um caso que um pessoal da PUC-Rio tentou da trote na engenharia da UFRJ.

Depois de ler o artigo vi que esta CPI encontrou sérios problemas de abusos, e até uma certa forma de apoio, especialmente por omissão, aos abusos cometidos dentro das universidades, ou mesmo fora pelos alunos das universidades com alunos das universidades. Isto faz pensar nos cidadãos que saem destas universidades. Serão médicos que tratarão bem e humanamente os pacientes? Só exercerão medicina para enriquecer?

Fico muito feliz pela decisão tomada na segunda metade da década de 1980 pela Escola de Engenharia de proibir trotes. A faculdade se importava realmente com os alunos. E ainda imagine qual nível estariam estes trotes atualmente se nada tivesse sido feito. Aliás, foi lá que apareceram alunos de outra universidade querendo dar trote e o professor teve que para a aula para ir lá resolver o problema.

Tem vários vídeos neste artigo, e confesso que não vi todos, pois o único que vi é impressionante. Mostra uma coleção de abusos às mulheres cometidos em trotes, e depois um protesto que inclui a encenação de um estupro.

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